
Em uma conversa regada a muita cerveja e reflexões, eu e dois amigos escritores (Fábio Fernandes e Marco Hruschka) filosofávamos a respeito de certos valores atuais. Depois de chegar a certas conclusões, resolvemos fazer uma pesquisa in loco. As conclusões que chegamos traduzo no poema abaixo. Enjoy!
FALO MODERNO
Luigi Ricciardi
Outrora símbolo de poder e força,
Hoje só lhe cabe um papel secundário.
Insatisfeito e com grande desconfiança,
Ele analisa a nova ordem de soslaio.
Sinal do sagrado e do viril masculino,
Construiu impérios, escreveu história.
E no que se refere ao corpo feminino,
Não há mais apropriação, nada de vitória.
Perdeu a força, é recluso em sua penúria,
Não consegue partilhar seus momentos de dor.
Pois o senhor da fecundidade e da luxúria
Perdeu espaço para os roncos de motor.
O senhor a quem ele pertence, também,
Sofreu, durante o tempo, modificações.
Inconscientemente vive seu réquiem,
Crendo conquistar femininos corações.
São ilusórias e bem distorcidas as suas visões
Influenciadas pelos perfumes a encantá-lo
E seguidamente enganado pelas vis atrações
Não vê seu carro transmutar-se em novo falo.
Acéfalos e grosseiros são agora grandes amores,
Os inteligentes, leais e cordiais estão aos prantos
Tudo é invertido neste grande circo de horrores:
Agora modelo, ano e preço são tamanhos penianos.
Quando nas festas noturnas, a passear pela rua
Ninguém notará o andante que mostra sua vida
Mas a mulher inteligente logo ao ver se insinua
Para o mais novo automóvel a deslizar na avenida
E o falo quando entra verdadeiramente em cena
Nos seus poucos minutos de fugaz protagonista
Goza-se todo prestigioso, eficaz, fantasista
Na sua furtíssima glória, jocosamente pequena
Porém, logo ele volta ao desprezo com indignação
Pois o novo pênis é quem seduz as novas meninas
Mas o velho falo deveria ir fazer-lhe afeição
Pois é graças a ele que se chega às alheias vaginas







