Salve às artes

Sejam bem vindos todos aqueles que, pela arte, vêem o mundo pelos poros do corpo, todos aqueles que, inconformados com o que os cerca, negam o processo de mumificação das telas e discursos modernos, todos aqueles que, pela arte, querem fazer de sua vida mais colorida em tempos de céu gris.

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06 Dezembro, 2009

DANÇA DAS MÁSCARAS




Poema vencedor do XXXI Concurso Nacional de Contos e Poesias promovido pela FAFIMAN.


Dança das Máscaras

No distinto salão do jardim dos sentidos eternos

Há todos os dias festas abastadas e grandiosas,

Notam-se os homens, todos eles bem trajados,

E as mulheres, adornadamente suntuosas.


Todos se preparam com a mais fina destreza

Com sentimentos de esperanças escondidas

A um purificado banho se dedicam com a frieza

De quem quer tornar as verdades esquecidas.


Despem-se do que decerto deveras sentem

Deixando esvoaçar as maldades que impuseram

Evitando espelhos de dogmas que os enfrentem

Fechando bem a porta para que nu não o vejam


Batom, maquilagem, lápis e sombras juncam

Perfeitamente o antigo rosto frio e amarfanhado

E nas crassas tintas que a nova face adornam

Vê-se desenhando um novo sorriso embotado


Dirigindo-se ao baile, deixam seus pesares

Caminham ofegantes à espera do acontecimento

Lá terão o ensejo de liberarem seus prazeres

Lugar onde a mentira mais cruel é o fomento


Os mais corajosos vêm sem máscaras à porta do salão

Mas à entrada, com um sorriso cru, recebem seu artefato

E os curiosos que só pretendiam espevitar; em vão

São impelidos a contragosto para dentro do tal ato.


Dança a humanidade segundo a música tocada

Sorrindo demente durante a música que os ata

Há palhaço, herói, enfermeira, moça recatada

Mas o que mais se vê são fantasias de beata


Atrás das ceras e das tintas escondem-se esvaecidos

Olhares que exprimem dor, vontade e maldade

E se da pista saem por muito tempo os mais desprevenidos

Quando voltam perdem o que não possuíam de verdade


Mas todas as noites, ao final do baile, alguns mortos ao chão caem

Ao sentir o inebriante e lancinante odor de crisântemo e jasmin.

Desprendidas as mascaras dos finitos, do salão os outros saem,

A chorar, não por pena, mas por saber que amanhã podem ter o seu fim.

10 Novembro, 2009

CONCURSOS E PUBLICAÇÕES


Olá, pessoal.

Quero agradecer as pessoas que leem os textos aqui no blog e incentivam a minha produção. Informo que ganhei em primeiro lugar o Concurso Nacional de Contos e Poesias da FAFIMAN em Mandaguari/PR com o poema "Dança das Máscaras". A entrega do prêmio será feita na quarta 11/11/09 no auditório da faculdade.

Abaixo, quero deixar o link de todos os meus textos publicados pela editora Câmara Brasileira, onde possuo estrela dourada: + de 50 mil leituras. Se tiverem vontade de ler, fiquem à vontade. Obrigado + 1 vez. Abraços!


CONTOS:

http://www.camarabrasileira.com/quem09-041.htm

Quem? Contos Selecionados

Texto: Fugacidade do Instante

http://www.camarabrasileira.com/contouro09-008.htm

Livro de ouro do conto Brasileiro

Texto: Tribos

http://www.camarabrasileira.com/contout09-027.htm

Contos de outono

Texto: A Lua

http://www.camarabrasileira.com/contsel08-002.htm

Contos Selecionados de Autores Premiados

Texto: Delírios e Chaminés

http://www.camarabrasileira.com/secon08-029.htm

Seleta de Contos de Autores Contemporâneos

Texto: Brigadeiro

http://www.camarabrasileira.com/contsel09-037.htm

Contos Selecionados de Novos Autores Brasileiros

Texto: Amor de Infância

http://www.camarabrasileira.com/acol18-013.htm

Antologia de Contos Fantásticos – Volume 18

Texto: Em Busca de Liberdade

http://www.camarabrasileira.com/acol17-034.htm

Antologia de Contos Fantásticos – Volume 17

Texto: À Porta da Metafísica

POEMAS:

http://www.camarabrasileira.com/ouro09-016.htm

Livro de ouro da poesia

Texto: Vida Obliqua

http://www.camarabrasileira.com/apol52-003.htm

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos – Volume 52

Texto: Rosa de Fogo

http://www.camarabrasileira.com/apol51-051.htm

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos – Volume 51

Texto: Se Soubesses

http://www.camarabrasileira.com/apol50-049.htm

Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos – Volume 50

Texto: Curvas para o fim

http://www.camarabrasileira.com/sens08-027.htm

Sensualidade em Prosa e Verso

Texto: Romance Ideal

PROXIMAS PUBLICAÇÕES

http://www.camarabrasileira.com/panorama2009conto.htm

Os Melhores Contos de 2009

Texto: Brigadeiro

http://www.camarabrasileira.com/panorama2009poesia.htm

As Melhores Poesias de 2009

Texto: Vida Obliqua

12 Outubro, 2009

FALO MODERNO


Em uma conversa regada a muita cerveja e reflexões, eu e dois amigos escritores (Fábio Fernandes e Marco Hruschka) filosofávamos a respeito de certos valores atuais. Depois de chegar a certas conclusões, resolvemos fazer uma pesquisa in loco. As conclusões que chegamos traduzo no poema abaixo. Enjoy!


FALO MODERNO

Luigi Ricciardi

Outrora símbolo de poder e força,

Hoje só lhe cabe um papel secundário.

Insatisfeito e com grande desconfiança,

Ele analisa a nova ordem de soslaio.


Sinal do sagrado e do viril masculino,

Construiu impérios, escreveu história.

E no que se refere ao corpo feminino,

Não há mais apropriação, nada de vitória.


Perdeu a força, é recluso em sua penúria,

Não consegue partilhar seus momentos de dor.

Pois o senhor da fecundidade e da luxúria

Perdeu espaço para os roncos de motor.


O senhor a quem ele pertence, também,

Sofreu, durante o tempo, modificações.

Inconscientemente vive seu réquiem,

Crendo conquistar femininos corações.


São ilusórias e bem distorcidas as suas visões

Influenciadas pelos perfumes a encantá-lo

E seguidamente enganado pelas vis atrações

Não vê seu carro transmutar-se em novo falo.


Acéfalos e grosseiros são agora grandes amores,

Os inteligentes, leais e cordiais estão aos prantos

Tudo é invertido neste grande circo de horrores:

Agora modelo, ano e preço são tamanhos penianos.


Quando nas festas noturnas, a passear pela rua

Ninguém notará o andante que mostra sua vida

Mas a mulher inteligente logo ao ver se insinua

Para o mais novo automóvel a deslizar na avenida


E o falo quando entra verdadeiramente em cena

Nos seus poucos minutos de fugaz protagonista

Goza-se todo prestigioso, eficaz, fantasista

Na sua furtíssima glória, jocosamente pequena


Porém, logo ele volta ao desprezo com indignação

Pois o novo pênis é quem seduz as novas meninas

Mas o velho falo deveria ir fazer-lhe afeição

Pois é graças a ele que se chega às alheias vaginas

24 Setembro, 2009

Victorium Vitae



O post anterior é uma música de Marcelo Camelo que conta mais ou menos a bronca de um amigo para o outro. Um sofre e não enxerga, o outro vê e pede para que ele sente e ouça os fatos!
Nesta vida fugaz, é preciso aproveitar cada luar que sorri à sua janela, para que ao chegar o dia de deixar este mundo, seu peito já saudoso possa sentir as palavras ditas nesta canção de Fábio Fernandes, meu grande amigo e escritor.
É a vitória da vida sobre o desânimo, do sorriso sobre a lamúria. E como diz Cartola, grande sambista e gênio na arte da vida: "A sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida.
Fico feliz em ter dado a sugestão para o nome que a canção leva.




Victorium Vitae


Me diz

o quão foi leve

a vida breve

que eu levei


Eu fiz

o tempo alegre

do sol a neve

sorri chorei


Eu fui humano

sem medo ou plano

certeza, engano

me apaixonei


Eu fiz amigos

dobrei os sinos

pelos franzinos

que eu amei


Eu fui a luta

penei labuta

peão e puta

não declinei


Eu fiz riqueza

vivi pobreza

e sobre a mesa

desesperei


Mas meu destino

bom ou cretino

diabólico e divino

fui eu que fiz


E satisfeito

de alma e peito

em calmo leito

descansarei


Fabio Fernandes

TÁ BOM - Los Hermanos


Senta aqui
que hoje eu quero te falar
não tem mistério não
é só teu coração
que não te deixa amar
você precisa reagir
não se entregar assim
como quem nada quer
não há mulher irmão que goste dessa vida
ela não quer viver as coisas por você
me diz cadê você aí
e aí não há sequer um par pra dividir

senta aqui
espera que eu não terminei
pra onde é que você foi
que eu não te vejo mais
não há ninguém capaz
de ser isso que você quer
vencer a luta vã
e ser o campeão
pois se é no não que se descobre de verdade
o que te sobra além das coisas casuais
me diz se assim esta em paz
achando que sofrer é amar demais

13 Setembro, 2009

1984 - George Orwell


Estou lendo o 1984 do George Orwell. Entre tantas citações interessantes, recorto esta abaixo para mostrar como é a sociedade futurista retratada pelo autor. Se a impressão de "déjà-vu" vir a tocar-lhes os sentidos, saibam que não foram os únicos. É ou não é o que vemos por aí?



Olhando a cara sem olhos, a mandíbula mexendo sem parar, Winston teve a sensação curiosa de não se tratar de um legítimo ente humano, mas de uma espécie de manequim. Não era o cérebro do homem que falava, era a laringe. O que saía da boca era constituído de palavras, mas não era fala genuína: era um barulho inconsciente, como o grasnido de um pato.
George Orwell, 1984, pg. 54

08 Setembro, 2009

Ode à Liberdade

Salvo a microfonia, o resultado ao vivo da canção que nos trouxe de volta aos palcos foi boa. Obrigado aos amigos que compareceram e/ou torceram. Iremos participar do Festival de Jacarézinho com a mesma canção. Já que o vento sopra perto, sigamos o rumo incerto!

Ode à liberdade

(Luigi Ricciardi, Lucas Sant'Ana & Laís Barbiero)

Papapapapa.....

Se acaso o vento sopra perto

Quero seguir um rumo incerto

Me desmanchar em rarefeito ar

Se aos meus pés viesse a liberdade

No pôr do Sol, ao fim de tarde

Posso me aventurar em ti, oh mar!

Pelas estradas,

Mil devaneios,

Se é fantasia não vou me importar...

La la la....

Sentir-se livre é estar sobre a montanha

Compreender a força estranha

Como maná poder se derramar

Na areia branca ver seus passos

Nuvens dançando o seu compasso,

Na melodia ver-se inspirar...

Hoje estou livre!

Que devaneio...

Se é fantasia vou continuar...

La la la

Papapapapa.....

Pelas estradas...

Papapapapa.....

video

31 Agosto, 2009

Escopo


Escopo

Até certo tempo eu era um alguém que queria eternizar as coisas.

O fim dos relacionamentos, amizades, empregos, fases, eram-me inaceitáveis.

Porque em mim tudo deveria ser eterno, durar sempre, não se perder nunca.

A dor de restabelecer tudo após um fim tornava tudo difícil.

Só mudei quando realmente percebi a finitude das coisas e da vida.

Vi que o fim das coisas precisa chegar, mesmo em dores.

Os anos se foram passando e o acúmulo de fins e incertezas subiu aos tetos.

Hoje entendo que a grande parte das coisas são criadas para não durar muito.

Notei também que, apesar de ter quisto o contrário, não sou um homem de coisas eternas.

Sinto por vezes vontade de deixar as coisas pela metade, outras vezes as abandono no inicio.

Outras vezes vou até o fim delas porque, sim, tudo tem seu acorde final.

O “para sempre” já me assusta. Descobri o novo, a não-rotina, e isso agora é a essência.

A cada dia me sou novo.

A cada semana me modelo.

A cada mês me reconstruo.

A cada ano, renasço.

Mudo de opinião, de pensamento, de vontades.

Não sou influenciável, não no seu estado pejorativo.

Contato-me com as forças, visões e sentidos

Das coisas que me cercam.

Daqueles que já viveram antes de mim.

Das notas, das palavras, do ar da época, e do passado.

E a vida assim vai somando páginas na coletânea da biblioteca universal.

E sinto-me livre, aberto a possibilidades.

Aproveitando cada momento na sua plenitude.

Sabendo que amanhã pode não se haver mais.

Até que a última canetada seja dada na última página da história.

Que por si não é estanque,

Mas conta o que fui, o que sou, e o que serei.

Em constante transmutação.

Esperando que a derradeira gota de tinta demore sempre a chegar!

25 Agosto, 2009

Manhã Dolosa



Salut à Tous!

Gostaria que opinassem sobre esse meu novo conto, um pouco diferente do que normalmente escrevo. Quem nunca passou por essa situação? A de ver uma quimera ruir-se? Abraços a todos!



Manhã Dolosa

No indesejado retiro a que fora submetido, de longe, avistava o vil correr sem definições das multidões aceleradas. A noite, irmã das fugas diárias, andava-lhe arredia. Da janela do edifício, ponto alto da dor, via o mundo girar e parar no mesmo lugar de onde saíra. A solidão era a gadanha da senhora morte a roçar-lhe o pescoço em busca de sangue. E a brandura ou tempestade das atrações era uma ventura que lhe fora tirada desde o abrir das páginas desta história. Mas nos devaneios da tortura, ele fantasiou sua mais bela quimera.

Da cama, viu-a entrar pela porta. Vinha cadenciando seu grassar. Passo a passo, como numa dança vagarosa ao tom do silêncio, veio caminhando em sua direção. O aroma que brotava no quarto tocava a primeira nota da orquestra onírica. Veio rodopiando seu corpo-valsa, tocando outras notas dissonantes. Nos calcanhares, passos então desconhecidos que vieram inflamar o ambiente agora auspicioso, outrora adverso.

Ela tinha um sorriso de lua nova, daqueles que se destacam mesmo com o céu negro. Olhar de maçã verde, tez do puro açúcar, poros lânguidos de cornucópia. Versava amores ao fitar-lhe nos olhos, e seu colo, já seminu, chamava-lhe à loucura. Nesse instante, viu para que fora chamado no nascimento, e assim tocou-lhe o colo, beijando-lhe os lábios. Em um instante, menor que um piscar de olhos, nua, de costas, ela lhe oferecia seus sentidos. Subindo ao proscénio, no dançar das cadeiras, como um beija flor, sugou o pólen da vida, da magnânima flor dos desejos.

Nos rostos ensalmados pelo deleite, via-se derramar lágrimas de seus olhos; ele a contemplava quase sem crer na oferenda recebida, enquanto que ela lhe sorria crepusculamente, a explodir com seguidas fruições. Chocando-se, rio e terra, tocaram o tecido celeste, indo bater à porta do criador. Deitados, extasiados, brandamente tocavam as faces alheias e dialogavam com o infinito tendo os olhos fechados.

O céu já está laranja, pede para o dia começar. Se Deus não existe, o mundo é um caos. Se existe, o caos continua, mas tem-se um alento. Criou-se um Deus divino para acalentar os espíritos. E no ensejo do amor, uma voz desconhecida, não se sabe se Deus ou a própria vontade, sussurra aos seus ouvidos, Tornarão a se ver onde não há treva. Encontrem-se onde a escuridão não lhes possua.

Ao levantar, já com o dia alto, uma ira tomará conta dos sentidos dele, e um urro sobre-humano será dado de suas profundezas humanas. Dolosamente, ele maldirá o sonho da noite, tendo novamente a solidão como companheira inseparável.

A uma distância desconhecida, uma mulher acordará com sua pele ainda eriçada a se lembrar dos suspiros da noite anterior. Lembrará dos passos que fez, dos frêmitos que sentiu, dos afagos que recebeu e retribuiu. Ela chorará baixinho ao recordar de seu sonho feliz, que partilhou conjuntamente, por uma noite, com seu amado. Retornará ao isolamento de outrora com os ecos da sublime fantasia frescos na memória.

BANDOLINS - OSWALDO MONTENEGRO


O encontro das notas com as palavras certas fazem brotar sensações maravilhosas. É o que acontece neste belo canto de Oswaldo Montenegro, o aclamado "Bandolins". Deixo a letra para saborarem ao som da canção ensaiando passos impróprios!i



BANDOLINS - OSWALDO MONTENEGRO

Como fosse um par que nessa valsa triste
Se desenvolvesse ao som dos bandolins
E como não e por que não dizer
Que o mundo respirava mais se ela apertava assim
Seu colo e como se não fosse um tempo
em que já fosse impróprio se dançar assim
Ela teimou e enfrentou o mundo
Se rodopiando ao som dos bandolins

Como fosse um lar, seu corpo a valsa triste iluminava
e a noite caminhava assim
E como um par o vento e a madrugada iluminavam
A fada do meu botequim
Valsando como valsa uma criança
Que entra na roda, a noite tá no fim
Ela valsando só na madrugada
Se julgando amada ao som dos bandolins